terça-feira, 1 de abril de 2014

Com que roupa que eu vou?



Na última quinta-feira (27), o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) publicou um estudo que revela o conservadorismo da população brasileira em relação às mulheres e o desconhecimento de seus direitos.

Do universo pesquisado, 42,7% da população concorda totalmente que “mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas'' e 22,4% concordam parcialmente com a afirmação. Já 35,3% concordam totalmente que “se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros. ’’

Os dados são preocupantes, porque evidenciam um comportamento doentio e sexista, de uma parcela significativa da sociedade que estimula a violência contra as mulheres.

Entretanto, quem se espanta com esse estudo não conhece, ou finge não ver, a realidade onde homens e mulheres imbuídos de ideias conservadoras, machistas e retrógradas, colocam no banco dos réus a mulher, pelo simples fato de ser mulher e ser dona de seu corpo, de sua vida.

Num momento em que encoxadores e molestadores de transporte público ocupam os noticiários e as páginas da grande imprensa, o estudo do Ipea comprova o cenário, que há anos o movimento feminista denuncia e tenta mudar, construído pelas mentes machistas e patriarcais da sociedade brasileira que vê as mulheres como culpadas pela violência cotidiana que enfrentam.

Por que Marchas das Vadias se proliferam mundo afora? Porque a mulher convive com o assédio em seu cotidiano: no ambiente de trabalho, no transporte público, em casa, ou seja, em todos os lugares. As mulheres sempre são colocadas à prova para provar o seu valor e defender seus direitos.

A mudança desse quadro requer o combate à violência contra a mulher com a punição dos agressores e a implantação de políticas públicas articuladas que fortaleçam o papel da mulher e promovam a igualdade de direitos.

Mulheres são donas de seu corpo, estejam nuas ou não, estejam onde e como estiverem. Assim como devem ter direito ao aborto, outro tema que abala e causa efervescência na sociedade.

Portanto, é inadmissível que, em pleno século XXI, sejamos queimadas na fogueira pelo tipo de roupa que vestimos ou como nos comportamos.

Somos mulheres que arregaçam as mangas para lutar, trabalhar e conquistar vitórias. E vamos continuar lutando, com unhas e dentes para defender esse direito.


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